Hoje fui à “loja da Via Verde” aqui em Tavira, ponho a palavra entre aspas porque aquilo não é na realidade uma loja no verdadeiro sentido da palavra, resumindo-se as duas secretárias colocadas logo à entrada do lado esquerdo na Loja do Cidadão de Tavira que se encontra no centro comercial Tavira Plaza. Fui lá porque queria ter direito às “dez primeiras viagens do mês gratuitas para além de 15% de desconto em todas as viagens subsequentes durante esse mês” (sic).
Já há muitos anos que ameaçavam colocar portagens na Via do Infante, reclassificada como autoestrada em 2004 como A22 (deixando de ser o IP1), mas tinha que ser, apenas desta vez, que as malfadadas portagens tinham mesmo que avançar.
Sou cliente da Via Verde desde comprei o meu actual carro, mas desde que regressei ao Algarve nunca mais tive necessidade do identificador e agora, só mesmo neste caso e se não fosse isso, teria devolvido o dito cujo à procedência.
Para poder portanto beneficiar destas “ofertas” que na verdade podem ser entendidos mais como “engodos” tinha de entregar um papelinho na referida loja da Via Verde de Tavira, papelinho que consistia num impresso que se obtinha pela Internet no site da Via Verde e que, entre outras coisas, blah blah blah, dava autorização ao IMTT de poder aceder aos meus dados que estão na posse da Via Verde empresa de forma a poder formalizar o meu pedido de “discriminação positiva”.
Mas tinha mais que entregar uma fotocópia do documento único automóvel (DUA), para poder completar o pedido. Assim fiz, e lá fui hoje à dita loja Via Verde em Tavira com o papelinho assinado mais as fotocópias do DUA, frente e verso.
Estava na expectativa de saber, sabendo que as portagens vão começar a ser cobradas a partir do próximo dia 8, qual seria a afluência. Cheguei lá, a primeira vez que fui á loja do cidadão de Tavira, tinham (quase) tudo o que as mega-lojas do cidadão de Lisboa têm, as máquinas das senhas, mas faltando uma coisa estúpidamente: o painel televisivo aonde eles vão assinalando quem é “o senhor que se segue”. Achei ridículo haver a máquina de imprimir senhas mas não haver nem sequer algo que se parecesse a um mínimo painel onde se fosse dando conta do progesso no atendimento. Estava para lá um écrã realmente, mas que dava a impressão que tinha ainda funcionado nos primeiros tempos após a inauguração – que teve lugar de acordo com a lápide que se encontra à entrada, já tinha tido lugar havia dois anos – mas que agora a única coisa para que servia era estar a passar publicidade nem-sei-bem-ao-quê. Efeitos da crise, provavelmente, pensei eu, já nem têm dinheiro para chamar um técnico para reparar a avaria. É a vida, de forma que agora os funcionários da loja do cidadão tinham que ir chamando usando o velho método das cordas vocais a alta potência, que me fez por alguns momentos recear que estava a precisar de ir ao médico dos surdos.
De forma que, como ia contando, entrei e tive direito à senha A-26, e no momento em que cheguei o atendimento ia no A-20. De forma que tive de esperar por mais cinco pessoas à minha frente, e a maior parte delas, como bem vi a entender, estava lá para se tornar cliente da Via Verde pela primeira vez. Realmente, a Via Verde era como um invasor estrangeiro das bandas lisboetas a quem o nosso querido governo entendeu muito bem conceder-lhe mais um vasto território: o reino do Algarve. E os algarvios não tiveram outro remédio senão submeterem-se. E a Via Verde, é claro, ficou com a fama e o proveito.
Proveito tive eu pouco, quando chegou a minha vez. A senhora “funcionária” da Via Verde não quis aceitar a minha modesta fotocópia do meu DUA dizendo que tinha de ser autenticada. Para ripostar contra a zelosa senhora das via-verdes, mostrei o meu DUA originalíssimo e mesmo assim, tendo oportunidade ela própria comprovar que a fotocópia que eu estava a apresentar era daquele mesmo documento, ai de jesus nosso senhor não podia ser, tinha que ser com uma fotocópia feita no sítio ou autenticada. Achei que não valia a pena insistir contra esta senhora, por sinal até mais jovem do que eu, mas representante da nova autoridade cobradora da(s) auto-estrada(s) algarvia(s), ainda esteve para recusar a folhinha impressa a cores que eu imprimi que servia para atestar a “discriminação positiva” e preparava-se para imprimir a sua própria porque, dizia, podia eu não ser o próprio que estava ali a apresentar o pedido. Aqui já achei que a senhora estava a ir longe demais e ameacei mostrar o meu BI – dos velhos ainda com as letras no fundo impressas a amarelo – na cara dela para a convencer de que me chamava mesmo Samuel Dias Rosa Viana. Aí ela lá cedeu, finalmente, e vá lá que a minha folha impressa a cores sempre afinal vai chegar aos escritórios do IMTT. Ao menos isso. Não gostei da senhora, porque infelizmente com tanto zelo só mostra desmazelo para com o cliente que, na sua ingenuidade, acreditou que podia ajudar a senhora a tornar este um mundo com mais árvorezinhas de pé sem ter que se gastar mais papel, e, para além do mais, estava interessado em fazer a senhora poupar o tempo dela e talvez ajudá-la a tratar-se do vício de levar papel à fotocopiadora. Mas enfim, o que é que se há-de fazer contra chicos-espertos, nesto caso concreto chica-esperta que acha que tudo o que ela pensa é que é correcto.
Pois da próxima vez, fiquei eu a pensar, é melhor não trazer o trabalho feito de casa porque depois acham que estamos a tentar roubar-lhes o trabalho deles e eles com medo de perder o emprego com os tempos que correm… na volta é isso!
E, é claro, no dia 8 todos nós algarvios, vamos ter de pagar para conduzir na via dedicada ao nosso querido infante D. Henrique. Todos, não só os algarvios, também os lisboetas que vêm para cá passar férias e que aprovam essas leis para roubar o pessoal da província e que depois nos chamam “marafados”. Quero é ver é como os “nuestros hermanos” resolvem o problema a terem que pagar, ou vão tornar na estrada nacional 125 numa “tourada” ou simplesmente vêm cá um dia, voltam para o seu país pela ponte do Guadiana e nunca mais ninguém lhes pode pôr a vista em cima!